Trump ameaça a NATO porque “está desesperado, perdido”

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“Trump é um especialista em fazer manobras de diversão” – e esta exigência feita aos aliados é mais uma dessas manobras, aponta o major-general Agostinho Costa. O comentador da CNN Portugal considera que, neste caso, não se trata de “falta de meios militares” – é uma “manobra comunicacional” para “passar as culpas” e dividir responsabilidade numa guerra que não está a correr como esperado.

Quase três semanas após o início do conflito com o Irão, vários dos objetivos estratégicos continuam longe de ser atingidos: destruição do programa nuclear iraniano, enfraquecimento da Marinha de Teerão, neutralização das defesas antiaéreas e até a hipótese – nunca assumida oficialmente mas frequentemente referida nos bastidores – de provocar uma mudança de regime. Nada disso foi alcançado de forma decisiva. “A coisa não está a correr bem”, aponta Miguel Baumgartner

Nesse contexto, a presença de algumas fragatas europeias no Golfo pode parecer irrelevante do ponto de vista militar, mas teria um peso político enorme. A presença de navios franceses, britânicos, alemães ou italianos permitiria a Washington apresentar o confronto não como uma guerra dos Estados Unidos – ou de Israel – mas como uma resposta internacional a uma ameaça global – o dito “império do mal”, quase como se reeditando a guerra que George W. Bush lançou em 2003 contra o Iraque. Não era o “império do mal”, mas o “eixo do mal”, ao qual também pertencia o Irão. Dessa vez, a Europa foi atrás, mas agora parece não ser assim tão claro.

No entanto, e até então, parece que as ameaças não se têm feito ouvir em solo europeu. Alemanha, Reino Unido, Itália e Grécia são alguns dos países que já garantiram que não vão ceder às intimidações norte-americanas. Também o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou esta segunda-feira que “Portugal não está nem vai estar envolvido no conflito”, afastando a hipótese de qualquer “deslocação de meios militares para a região e especialmente para o Estreito de Ormuz”.

Trump ameaçou a NATO não porque “precisa de meios militares” no Irão – ameaçou porque “está desesperado, perdido”

Na opinião de Agostinho Costa, Donald Trump está “desesperado” e “perdido”: “A guerra não lhe correu como ele achou que ia correr porque talvez Israel ou os seus chefes militares venderam-lhe uma ideia que não está a acontecer e ele agora precisa de partilhar responsabilidades”.

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Desde logo porque a própria ideia de abrir o estreito pela força é, no mínimo, “altamente problemática”, uma vez que a geografia joga claramente a favor de Teerão, explica o major-general. Drones, mísseis costeiros, minas marítimas, embarcações rápidas e até minissubmarinos fazem parte do arsenal iraniano disponível para operar naquela zona estreita de mar. Na prática, explica, isso significa que qualquer tentativa de garantir a navegação terá sempre custos elevados e riscos consideráveis: “Qualquer pessoa minimamente informada percebe que a abertura do estreito pela força não é exequível em termos daquilo que seria aceitável.

A consequência é que o presidente norte-americano está a perder apoio, “nomeadamente na base do grupo MAGA”, considera Miguel Baumgartner. “A inflação é uma coisa que na América é destrutiva para qualquer governo e temos neste momento a economia americana com problemas, o aumento do preço do petróleo e o aumento do preço da vida”. Além disso, em novembro, a popularidade de Donald Trump vai ser posta à prova nas eleições intercalares.

“Ele precisa de dizer à população norte-americana ‘atenção, vocês estão a ver, a guerra não é só minha, olha os alemães, olha os ingleses, olha os franceses, olha os italianos, olha os portugueses, também lá estão a tentar defender o Estreito de Ormuz’.”

fonte: msn.com

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