Messi, Yamal, Mbappé, Rodri. As contas da Bola de Ouro

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A ideia de que o próximo vencedor da Bola de Ouro nunca será unânime foi confirmada por Gerard Piqué, que este domingo olhou para uma final de Campeonato do Mundo entre o homem que o ajudou a conquistar muito do que conquistou, Lionel Messi, e o país onde nasceu e por quem conquistou muito do que conquistou, Espanha.

“No que diz respeito à Bola de Ouro eu já me perdi no que é valorizado, porque é uma coisa diferente a cada ano que passa. Nunca foi bem especificado aquilo que verdadeiramente influencia para que se vença. Claro que o Messi ganhar este ano seria a melhor maneira de encerrar o seu ciclo. No entanto, se a dão, muitos dirão que conta toda a temporada e que ele competiu num Campeonato como a MLS… E bem, têm razão. Da mesma maneira que, se ganhar Espanha, haverá vozes contrárias a uma vitória de Rodri, porque está a fazer um Mundial muito bom, mas esteve lesionado grande parte da época. Se derem ao Lamine, etc etc etc”, vincou o antigo central.

Piqué não está errado. Se é certo que a vitória de Espanha na final contra a Argentina deixa Lionel Messi mais longe da nona Bola de Ouro, na medida em que não conseguiu conquistar um troféu pela seleção e passou a temporada no Inter Miami e no pouco competitivo futebol dos EUA, é impossível descartar que o jogador argentino não surja na larga maioria das listas de todos os que votam. Aos 39 anos, marcou oito golos e fez quatro assistências no Mundial 2026, ficando como segundo melhor marcador da história da competição com 21 golos, menos um do que Kylian Mbappé.

Ainda assim, Messi conta com um handicap que não afeta os concorrentes que jogam na Europa: a Bola de Ouro avalia a temporada 2025/26, ou seja, de agosto de 2025 a julho de 2026, enquanto que a época nos EUA está praticamente a meio e o argentino ainda só fez 16 jogos pelo Inter Miami, com 13 golos marcados e oito assistências. Nesse sentido, a conquista do Campeonato do Mundo que não se confirmou pode mesmo ter sido o esfumar de uma inacreditável nona distinção de melhor jogador do mundo.

Com Messi algo longe da equação, abre-se um vasto lote de opções. Kylian Mbappé, naturalmente, é uma delas: o avançado francês marcou dez golos no Mundial 2026, isolando-se como melhor marcador de sempre da competição, e liderou França até às meias-finais. Contudo, se é certo que marcou 42 golos ao longo da temporada pelo Real Madrid, sendo o melhor marcador da La Liga e da Liga dos Campeões, não conquistou qualquer troféu pelos merengues, o que pode acabar por esvaziar as ambições para a Bola de Ouro que é entregue em Paris no próximo dia 26 de outubro.

Lamine Yamal será sempre uma das possibilidades, ao sagrar-se campeão mundial depois de uma época em que foi crucial para a conquista da La Liga e da Supertaça de Espanha por parte do Barcelona, mas acabou por não impressionar no Mundial 2026 e o facto de ter perdido a reta final da temporada devido a uma lesão dificilmente o levará à vitória. Algo semelhante acontece com Harry Kane, que marcou 61 golos pelo Bayern Munique e conquistou a Bundesliga e a Taça da Alemanha, mas precisaria da Liga dos Campeões ou do Campeonato do Mundo para se aproximar da Bola de Ouro.

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A todos eles juntam-se Achraf Hakimi, Michael Olise, Erling Haaland, Ousmane Dembélé, Jude Bellingham ou até Declan Rice, que tiveram temporadas muito acima da média nos respetivos clubes, com Hakimi e Dembélé a sagrarem-se até bicampeões europeus pelo PSG, foram dos melhores jogadores do Mundial 2026, mas necessitavam da conquista do troféu para serem verdadeiros candidatos. Pelo meio, porém, aparece a exceção.

Rodri não marcou qualquer golo nem fez qualquer assistência no Mundial 2026. Foi titular em todos os oito jogos e só foi substituído no primeiro e no último, à beira do apito final contra Cabo Verde e já no prolongamento contra a Argentina. Foi constantemente o melhor jogador da equipa de Luis de la Fuente, liderando o meio-campo não só com a braçadeira, mas com uma qualidade e noção de tempo, espaço e oportunidade que foi carregando os espanhóis até à final deste domingo.

Sem surpresa, numa decisão que parecia absolutamente definida assim que Espanha ganhou e a Argentina perdeu, Rodri foi eleito o melhor jogador do Mundial 2026. Aos 30 anos e ao longo do último mês, voltou a recordar o porquê de ter sido a individualidade distinguida com a Bola de Ouro em 2024 — muito graças à Premier League e à Taça de Inglaterra conquistada com o Manchester City nesse ano, mas também ao Euro 2024 onde já tinha sido crucial para as ambições da equipa de De la Fuente e também eleito o melhor jogador da competição. Dois anos depois, acabado de ganhar o Campeonato do Mundo, é impossível não voltar a pensar em Rodri como candidato ou até favorito ao título de melhor jogador do mundo.

Contra ele, tem o facto de não ter conquistado a Premier League com o Manchester City, somando apenas a Taça de Inglaterra e a Taça da Liga inglesa, para além de só ter participado em 33 jogos pelos citizens entre lesões e perda de titularidade no meio-campo de Pep Guardiola. A seu favor, tem a história: entre os últimos 19 vencedores da Bola de Ouro, só quatro não ganharam a Liga dos Campeões, o Campeonato do Mundo, o Campeonato da Europa ou a Copa América desse ano. Rodri, portanto, pode muito bem ser a exceção que confirma a regra.

Fonte: msn.com

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